28/05/2017

Eu Li: Dylan Dog - Retorno ao Crepúsculo


Eu acabei de ler a nova HQ do Dylan Dog, publicada no Brasil pela Editora  Lorentz e me sinto como o detetive do pesadelo na capa da revista, em uma queda livre onírica.


DD voltou às bancas brasileiras em grande estilo, formato italiano, cuidado editorial e uma ótima história inédita por aqui.

Retorno ao Crepúsculo me apresentou uma temática de terror completamente nova e reflexiva, o mesmerismo. Direi aqui, bem superficialmente para não tirar nada da sua experiência de leitura, o que representa tal termo. Mesmerismo é uma forma de "evitar" a morte.

Essa busca por evitar a morte é usada na história como trampolim metafórico para a reflexão social. Também não direi qual aspecto da nossa sociedade capitalista é representado no enredo para, novamente, não estragar seu deleite quadrinístico ao ler a obra. Contudo acho importante ressaltar este aspecto aqui no post, pois é este ponto que me cativou na obra e me faz recomendar a você esse fumetti, como eu faria a um amigo querido.

Leia Dylan Dog no seu retorno à "zona do Crepúsculo", onde o personagem mergulha em uma espiral de eventos tão bem tramados que me fazem querer reler essa história o quanto antes. Aliás aqui vai uma dica, reserve um tempo e leia as 98 páginas da HQ em apenas uma "tacada". Eu li um pouco antes de dormir e na tarde do outro dia, e senti que acabei deixando de aproveitar a maestria do encadeamento dos eventos.

Antes de encerrar o post e reler a HQ, vão aqui os meus parabéns ao pessoal da Lorentz, que demonstrou uma enorme paixão pelos quadrinhos. Dylan Dog está sendo belamente homenageado nos seus 30 anos de vida editorial e isso graças ao perceptível esforço dos fãs. Além desta 1ª edição sairão outras 2 (também inéditas no Brasil), eu certamente comprarei todas. 

E pra fechar com chave de ouro, deixo aqui a matéria de Júlio Schneider que abre a edição, assim você, que ainda não está convencido a adquirir essa HQ, talvez mude de ideia e dê uma chance ao bom e querido Dylan 😉
"O mais popular detetive do pesadelo que se conhece - o único, aliás - responde pelo nome de Dylan Dog ( ou simplesmente DD ou DyD), vive em Londres, num apartamento alugado nno nº 7 de Craven Road, e dirige um fusca branco conversível complaca DYD 666. Típico inglês trintão, olhar triste e reflexivo, seu rosto lembra o ator Rupert Everett, e Groucho, o assistente que o inferniza com as piadas infames que dispara sem parar (para alegria dos leitores), é sósia do comediante Groucho Marx, Gnha o pão de cada dia se envolvendo com monstros e fatos sobrenaturais, mas também com intrigas policiais cheias de ação e suspense. Esta série em quadrinhos estreou nas bancas da Itália em 1986, tendo por base de inspiração dois tipos de filmes, o policial-terror de Dario Argento e o terror moderno de George Romero (A Noite dos Mortos-Vivos, Despertar dos Mortos) e de John Carpenter (Halloween,O Enigma de Outro Mundo), mas em suas tramas as cenas splatter (sangue e violência) são feitas com elegância, longe do estilo açougue sujo. E sexo, também esse mais sugerido que mostrado, é uma marca de fábrica da série, e em cada volume o personagem arruma uma nova namorada com quem troca juras de amor eterno... até a edição seguinte.

Criado pelo roteirista italiano Tiziano Sclavi, o personagem recebeu seus traços definitivos de Angelo Stano, o atual capista da série, com base no modelo gráfico elaborado por Claudio Villa, hoje autor das capas de Tex Willer. Pouco tempo depois do lançamento, DD virou fenômeno de costumes e chegou a ser a revista em quadrinhos mais vendida na Itália, atingindo, entre inéditos e reedições, um milhão de exemplares mensais, e aliou o sucesso de público à aclamação da crítica e de intelectuais: "Posso ler a Bíblia, Homero e Dylan Dog por dias e dias", declarou Umberto Eco, o escritor italiano mais famoso no mundo, autor de O Nome da Rosa, falecido em 2016 e que virou personagem de uma HQ do Investigador do Pesadelo. As aventuras de DD abordam vários aspectos do fantástico (do terror à ficção científica), mas normalmente as histórias são um pretexto para o protagonista encarar temáticas sociais da atualidade - infelizmente reais - como marginalização, vivisseção, drogas, racismo, violência e abusos de poder. Outra característica da série é ser roteirizada como uma demencial roda-viva de episódios loucos e grotescos, ou ainda como uma história de amor e de morte, triste e comovente, ingredientes presentes na HQ deste volume."  
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